quarta-feira, 30 de maio de 2018

Questão 50 – CRC 02/2017 – Prova Bacharel – Língua Portuguesa


Leia o texto a seguir, sobre o qual versam as questões 49 e 50.

Maior participação feminina no mercado de trabalho injetaria 382 bilhões de reais na economia
por Dimalice Nunes

Em 2014, os líderes do G20 se comprometeram a reduzir em 25% a diferença nas taxas de participação entre homens e mulheres até 2025. O relatório da OIT estima que, se esse objetivo fosse alcançado em nível global, ele teria o potencial de adicionar 5,8 trilhões de dólares à economia de todo o mundo, além de gerar grandes receitas fiscais em potencial.
Por exemplo, a receita global de impostos poderia aumentar em 1,5 trilhão de dólares, a maior parte em países emergentes (990 bilhões de dólares) e desenvolvidos (530 bilhões de dólares). A África do Norte, os Estados Árabes e o Sul da Ásia teriam os maiores benefícios, já que nessas regiões as diferenças nas taxas de participação entre homens e mulheres superam os 50 pontos percentuais.
De acordo com a OIT, a desigualdade de gênero continua a ser um dos desafios mais urgentes que o mundo do trabalho enfrenta. As mulheres são substancialmente menos propensas do que os homens a participar do mercado de trabalho e, uma vez no mercado de trabalho, elas têm menor probabilidade do que os homens de encontrar emprego, afirma o relatório. Além disso, a qualidade desse emprego ainda preocupa.

Desemprego maior para elas
Quando as mulheres participam do mercado de trabalho, elas têm maior probabilidade de estarem desempregadas do que os homens. Globalmente, a taxa de desemprego para as mulheres em 2017 é de 6,2%, representando uma diferença de 0,7 ponto percentual com relação à taxa de desemprego dos homens, de 5,5%.
No Brasil, entre 2012 e 2016, com a retração econômica, o índice de desemprego medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu de 7,9% para 12% – 13,6% na medida mais recente – enquanto a taxa de ocupação da população caiu de 56,3% em 2012 para 54% em 2016. Entre as mulheres o desemprego no fim de 2016 era de 13,8% enquanto atingiu 10,7% para os homens. Em 2018, a OIT espera que as taxas de desemprego permaneçam relativamente inalteradas, o que manterá a desigualdade no atual patamar, sem nenhuma melhora
esperada antes de 2021, com base nas tendências atuais.
Entre as mulheres empregadas em todo o mundo, quase 15% são trabalhadoras familiares não remuneradas, em comparação com mais de 5% dos homens. Nos países em desenvolvimento, onde cerca de 36,6% das mulheres e apenas 17,2% dos homens são empregados como trabalhadores familiares não remunerados, a diferença é maior, de 19 pontos percentuais.

Mudança cultural
A preferência e a decisão da mulher de participar no mercado de trabalho e seu acesso a empregos de qualidade podem ser afetados por uma série de fatores, incluindo discriminação, educação, tarefas de cuidado não remuneradas, equilíbrio entre trabalho e família e estado civil.
A conformidade do papel de gênero também afeta a restrição das oportunidades de trabalho decente para as mulheres. O relatório mostra que 20% dos homens e 14% das mulheres pensam que não é aceitável para uma mulher trabalhar fora de casa.
Além dos benefícios econômicos, um maior engajamento feminino na força de trabalho teria um impacto positivo no seu bem-estar, já que a maioria das mulheres gostaria de trabalhar, 58%.
O relatório recomenda medidas abrangentes para melhorar a igualdade das condições de trabalho e reformular os papéis de gênero, como promover a igualdade de remuneração; abordar as causas da segregação ocupacional e setorial; reconhecer, reduzir e redistribuir as tarefas de cuidado não remuneradas; e transformar as instituições para prevenir e eliminar a discriminação, a violência e o assédio no mundo do trabalho.
Políticas públicas são essenciais para amparar a entrada e a permanência das mulheres no mercado de trabalho, mas as empresas podem e devem ser agentes de mudança cultural. A startup ImpulsoBeta se propõe a criar estratégias e colocar em prática ações para promover a diversidade de gênero dentro das empresas.
A sócia-fundadora da empresa, Renata Moraes, explica que, mesmo entre as grandes empresas, poucas têm de fato estratégias de recursos humanos para a valorização do capital humano. “Os princípios teóricos já estão estabelecidos, há diretrizes da ONU Mulheres. O desafio é convencer os CEOs de que isso (a inclusão e retenção de mulheres) é um valor para o negócio", afirma.
Renata explica que existem crenças profundamente arraigadas nas empresas, como a de que mulheres serão menos comprometidas que os homens em determinadas fases da vida, como quando têm filhos. "A cultura do trabalho não é a cultura da diversidade. Ainda se vê valor na disponibilidade 24 por 7, mas homens mais jovens também não estão mais dispostos a isso", lembra. "As empresas se dizem meritocráticas, mas não observam de fato os resultados. A definição do que é talento e comprometimento replicam ideais que são contraditórios", conclui.
A OIT prevê que essas taxas permanecerão inalteradas em 2018. No Brasil, mulheres são 56% da força de trabalho, índice melhor que a média global, mas ainda assim 22,1 pontos percentuais menor que a masculina, estimada em 78,2%.

Dimalice Nunes in Revista Carta Capital, — publicado 26/06/2017 00h16, última modificação 23/06/2017 17h2,
https://www.cartacapital.com.br/sociedade/maior-participacao-feminina-no-mercado-de-trabalho-injetaria-382-bilhoes-de-reais-na-economia (texto adaptado)

QUESTÃO 50:

“A diminuição das diferenças de gênero no mercado de trabalho poderia aumentar o PIB brasileiro em 3,3%, ou 382 bilhões de reais, e acrescentar 131 bilhões de reais às receitas tributárias. Para isso, seria necessário o Brasil reduzir em 25% a desigualdade na taxa de presença das mulheres no mundo do trabalho até 2025, compromisso já assumido pelos países que compõem o G20. "Os dados fazem parte do estudo Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em números absolutos, se a participação feminina crescesse 5,5 pontos percentuais, o mercado de trabalho brasileiro ganharia uma mão de obra de 5,1 milhões de mulheres. Ainda segundo os dados da OIT, a taxa de participação na força de trabalho global para as mulheres em 2017 é de pouco mais de 49%, 27 pontos percentuais menor do que a taxa para os homens (76%).”

Quanto à coesão textual do trecho em destaque, está CORRETA a alternativa:

a) “Ainda segundo os dados da OIT” é expressão com intenção persuasiva, cujo efeito é o de crítica ao predomínio do homem no mercado de trabalho, 51% maior que a participação feminina.
b) Em “Os dados fazem parte do estudo...”, o termo “os dados” retoma a expressão “... estudo Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo – Tendências para Mulheres 2017”.
c) Em “se a participação feminina crescesse 5,5 pontos percentuais”, encontra-se a ideia de causa, de motivação para o aumento da mão de obra brasileira, que passaria a contar com 5,1milhões de mulheres.
d) “Para isso” conecta a segunda frase à primeira, indiciando condições para que a diminuição das diferenças de gênero no mercado de trabalho contribua para aumento do PIB e acréscimo de valores às receitas tributárias.

Resolução em texto elaborada pelo Prof. Thiago Chaim:

1º) O que a questão pede?
Identificar a alternativa que apresente a afirmativa correta quanto à coesão do trecho em destaque.

2º) Qual estratégia vamos usar para resolver?
As questões de Língua Portuguesa, nas últimas provas, têm sido voltadas à interpretação textual. Dessa forma, vamos analisar as alternativas apresentadas.

O trecho “Ainda segundo os dados da OIT”, diferentemente do que a alternativa “A” sugere, não está criticando a participação do homem no mercado de trabalho, mas apenas informando a fonte das quais as informações foram retiradas. INCORRETA.

O termo “os dados” em “Os dados fazem parte do estudo...” está conectando todas as informações que foram expostas até então com o estudo que gerou tais informações. INCORRETA.

Em “se a participação feminina crescesse 5,5 pontos percentuais”, na verdade encontra-se a ideia de consequência, onde a mão de obra feminina passaria a contar com 5,1 milhões de mulheres. INCORRETA.

“Para isso” está, de fato, conectado a segunda frase à primeira. É o que se chama de coesão sequencial e é utilizado para dar sequência ao texto, ordenando os fatos no tempo do texto. CORRETA.

Gabarito: “D”

Resolução em vídeo elaborada pela Prof.ª Yasmin:
...em breve...

Acesse outras questões resolvidas no link abaixo:

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