segunda-feira, 28 de maio de 2018

Questão 49 – CRC 02/2017 – Prova Bacharel – Língua Portuguesa

Leia o texto a seguir, sobre o qual versam as questões 49 e 50.

Maior participação feminina no mercado de trabalho injetaria 382 bilhões de reais na economia
por Dimalice Nunes

Em 2014, os líderes do G20 se comprometeram a reduzir em 25% a diferença nas taxas de participação entre homens e mulheres até 2025. O relatório da OIT estima que, se esse objetivo fosse alcançado em nível global, ele teria o potencial de adicionar 5,8 trilhões de dólares à economia de todo o mundo, além de gerar grandes receitas fiscais em potencial.
Por exemplo, a receita global de impostos poderia aumentar em 1,5 trilhão de dólares, a maior parte em países emergentes (990 bilhões de dólares) e desenvolvidos (530 bilhões de dólares). A África do Norte, os Estados Árabes e o Sul da Ásia teriam os maiores benefícios, já que nessas regiões as diferenças nas taxas de participação entre homens e mulheres superam os 50 pontos percentuais.
De acordo com a OIT, a desigualdade de gênero continua a ser um dos desafios mais urgentes que o mundo do trabalho enfrenta. As mulheres são substancialmente menos propensas do que os homens a participar do mercado de trabalho e, uma vez no mercado de trabalho, elas têm menor probabilidade do que os homens de encontrar emprego, afirma o relatório. Além disso, a qualidade desse emprego ainda preocupa.

Desemprego maior para elas
Quando as mulheres participam do mercado de trabalho, elas têm maior probabilidade de estarem desempregadas do que os homens. Globalmente, a taxa de desemprego para as mulheres em 2017 é de 6,2%, representando uma diferença de 0,7 ponto percentual com relação à taxa de desemprego dos homens, de 5,5%.
No Brasil, entre 2012 e 2016, com a retração econômica, o índice de desemprego medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) subiu de 7,9% para 12% – 13,6% na medida mais recente – enquanto a taxa de ocupação da população caiu de 56,3% em 2012 para 54% em 2016. Entre as mulheres o desemprego no fim de 2016 era de 13,8% enquanto atingiu 10,7% para os homens. Em 2018, a OIT espera que as taxas de desemprego permaneçam relativamente inalteradas, o que manterá a desigualdade no atual patamar, sem nenhuma melhora
esperada antes de 2021, com base nas tendências atuais.
Entre as mulheres empregadas em todo o mundo, quase 15% são trabalhadoras familiares não remuneradas, em comparação com mais de 5% dos homens. Nos países em desenvolvimento, onde cerca de 36,6% das mulheres e apenas 17,2% dos homens são empregados como trabalhadores familiares não remunerados, a diferença é maior, de 19 pontos percentuais.

Mudança cultural
A preferência e a decisão da mulher de participar no mercado de trabalho e seu acesso a empregos de qualidade podem ser afetados por uma série de fatores, incluindo discriminação, educação, tarefas de cuidado não remuneradas, equilíbrio entre trabalho e família e estado civil.
A conformidade do papel de gênero também afeta a restrição das oportunidades de trabalho decente para as mulheres. O relatório mostra que 20% dos homens e 14% das mulheres pensam que não é aceitável para uma mulher trabalhar fora de casa.
Além dos benefícios econômicos, um maior engajamento feminino na força de trabalho teria um impacto positivo no seu bem-estar, já que a maioria das mulheres gostaria de trabalhar, 58%.
O relatório recomenda medidas abrangentes para melhorar a igualdade das condições de trabalho e reformular os papéis de gênero, como promover a igualdade de remuneração; abordar as causas da segregação ocupacional e setorial; reconhecer, reduzir e redistribuir as tarefas de cuidado não remuneradas; e transformar as instituições para prevenir e eliminar a discriminação, a violência e o assédio no mundo do trabalho.
Políticas públicas são essenciais para amparar a entrada e a permanência das mulheres no mercado de trabalho, mas as empresas podem e devem ser agentes de mudança cultural. A startup ImpulsoBeta se propõe a criar estratégias e colocar em prática ações para promover a diversidade de gênero dentro das empresas.
A sócia-fundadora da empresa, Renata Moraes, explica que, mesmo entre as grandes empresas, poucas têm de fato estratégias de recursos humanos para a valorização do capital humano. “Os princípios teóricos já estão estabelecidos, há diretrizes da ONU Mulheres. O desafio é convencer os CEOs de que isso (a inclusão e retenção de mulheres) é um valor para o negócio", afirma.
Renata explica que existem crenças profundamente arraigadas nas empresas, como a de que mulheres serão menos comprometidas que os homens em determinadas fases da vida, como quando têm filhos. "A cultura do trabalho não é a cultura da diversidade. Ainda se vê valor na disponibilidade 24 por 7, mas homens mais jovens também não estão mais dispostos a isso", lembra. "As empresas se dizem meritocráticas, mas não observam de fato os resultados. A definição do que é talento e comprometimento replicam ideais que são contraditórios", conclui.
A OIT prevê que essas taxas permanecerão inalteradas em 2018. No Brasil, mulheres são 56% da força de trabalho, índice melhor que a média global, mas ainda assim 22,1 pontos percentuais menor que a masculina, estimada em 78,2%.

Dimalice Nunes in Revista Carta Capital, — publicado 26/06/2017 00h16, última modificação 23/06/2017 17h2,
https://www.cartacapital.com.br/sociedade/maior-participacao-feminina-no-mercado-de-trabalho-injetaria-382-bilhoes-de-reais-na-economia (texto adaptado)

QUESTÃO 49:

Segundo Luiz Carlos Travaglia, Professor de Língua Portuguesa e Linguística e pesquisador do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia, o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma função social específica. Para ele, essas funções sociais são pressentidas e vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente, sabemos que gênero usar em momentos específicos de interação, de acordo com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail, sabemos que ele pode apresentar características que farão com que ele “funcione” de maneira diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo não é o mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo informações sobre um concurso público, por exemplo.

Sobre o texto em estudo, está CORRETA a afirmativa:

a) Trata-se de um texto cuja intenção é informar sobre a participação das mulheres no mercado global de trabalho e, para isso, usa predominantemente a denotação.
b) Publicado em uma revista semanal jornalística, suporte com predominância de notícias e reportagens, apresenta número significativo de metáforas, o que deixa o texto mais acessível ao leitor.
c) Com predomínio da linguagem informal, o texto garante, pela coloquialidade, o alcance de seu público alvo, interessado em atualidades e exigente pouco afeito a linguagens rebuscadas.
d) Apresenta-se predominantemente expositivo, o que se garante pelo tom opinativo acerca dos dados apresentados, promovendo a qualidade do trabalho feminino em favor do crescimento global.

Resolução em texto elaborada pelo Prof. Thiago Chaim:

1º) O que a questão pede?
Identificar a alternativa que apresente a afirmativa correta sobre o texto apresentado.

2º) Qual estratégia vamos usar para resolver?
As questões de Língua Portuguesa, nas últimas provas, têm sido voltadas à interpretação textual. Dessa forma, vamos analisar as alternativas apresentadas.

A alternativa “A” menciona o conceito de denotação, que é quando a linguagem está sendo utilizada em seu sentido literal. Esse gênero textual é comumente encontrado em reportagens e editoriais pois, possuem o objetivo de informar e orientar o leitor a respeito de um determinado assunto.

Verificando a forma com que o texto foi escrito, é possível identificar que a alternativa “A” é a CORRETA.

A alternativa “B” afirma que o texto possui um número significativo de metáforas.

Metáforas são figuras de linguagem, como quando alguém diz: “Aquele rapaz é um gato”. Nesse caso, o locutor não está afirmando que o homem é, na verdade, um felino. Mas provavelmente possui características que poderiam ser comparadas ao animal, e por isso utiliza essa figura de linguagem para descrevê-lo.

O texto não apresenta metáforas, pois apenas refere-se a fatos e apresenta dados de pesquisas. Por isso, a alternativa “B” é FALSA.

A alternativa “C” afirma que o texto utiliza a linguagem informal. A linguagem coloquial é mais comum na fala. Mesmo assim é possível encontrá-la em textos nos quais o uso da norma culta possa ser dispensado.

Utilizamos muito a linguagem informal coloquial nas mensagens de texto que enviamos para nossos amigos e familiares no whatsapp. Muitas vezes com gírias e abreviações.

O texto apresentado está longe de ser informal, por isso a alternativa “C” também é FALSA.

A alternativa “D” afirma que a autora utiliza tom opinativo e promove a qualidade do trabalho feminino em favor do crescimento global.

O texto, em nenhum momento, afirma que as mulheres são melhores, ou trabalham mais, ou possuem qualquer tipo de qualidade superiores aos homens. O que a autora expõe é que existe uma diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho e que essa diferença é causada pelo histórico de discriminação e tradição em se ter por certo que a mão de obra masculina pode gerar mais retorno que a feminina.

Ela argumenta apresentando dados para promover uma mudança no comportamento cultural a ponto de se perceber que a mulher é tão capaz quanto o homem para desempenhar o seu papel profissional. Por isso, a alternativa “D” também é FALSA.

Gabarito: “A”

Resolução em vídeo elaborada pela Prof.ª Yasmin:
...em breve...

Acesse outras questões resolvidas no link abaixo:

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