terça-feira, 10 de março de 2015

Questão 40 - CRC 02/2014 - Prova de Bacharel

Em janeiro de 2014, uma Sociedade considerada média empresa alterou o modo de uso de alguns bens que integram o ativo imobilizado e, consequentemente, modificou o valor residual e a vida útil desses bens.

De acordo com a NBC TG 1000 Contabilidade para Pequenas e Médias  Empresas, uma mudança no valor residual, no método de depreciação ou na vida útil de um bem classificado como ativo imobilizado deve ser tratada como:

a) mudança de estimativa contábil: calcula-se a depreciação, utiliza-se o novo valor residual e a vida útil, com base no custo de aquisição ajustado do bem, e procede-se ao ajuste na depreciação no exercício da mudança e em exercícios futuros.
b) mudança de estimativa contábil: calcula-se a depreciação, utiliza-se o novo valor residual e a vida útil, com base no custo de aquisição inicial do bem, e procede-se ao ajuste na depreciação em exercícios anteriores e em exercícios futuros.
c) mudança de política contábil: calcula-se a depreciação, utiliza-se o novo valor residual e a vida útil, com base no custo de aquisição inicial do bem, e procede-se ao ajuste na depreciação em exercícios anteriores.
d) mudança de política contábil: calcula-se a depreciação, utiliza-se o novo valor residual e a vida útil, com base no custo de aquisição ajustado do bem, e procede-se ao ajuste na depreciação em exercícios anteriores.

Resolução:

Pessoal, ao ler o enunciado e as alternativas da questão, percebemos que, primeiramente deve-se saber qual a diferença entre “mudança de estimativa contábil” e “mudança de política contábil”. Você sabe a diferença?

Lá na NBC TG 1000, na Seção 10 diz o seguinte:

“Seção 10
Políticas Contábeis, Mudança de Estimativa e Retificação de Erro
Alcance desta seção
10.1 Esta seção fornece orientação para a seleção e aplicação das políticas (práticas) contábeis usadas na elaboração de demonstrações contábeis.  Cobre, também, mudanças nas estimativas contábeis e correção de erros de demonstrações contábeis relativos a períodos anteriores.  

Seleção e aplicação das políticas contábeis
10.2 As políticas contábeis são princípios específicos, bases, convenções, regras e práticas, aplicados pela entidade na elaboração e apresentação de demonstrações contábeis. (...)
(...)
Mudança nas estimativas contábeis
10.15 Uma mudança na estimativa contábil é um ajuste do valor contábil de ativo ou passivo, ou do valor do consumo periódico de ativo decorrente da avaliação da posição corrente e esperada dos benefícios futuros e obrigações associadas com ativos e passivos. Alterações nas estimativas contábeis resultam de novas informações ou novos desenvolvimentos e, portanto, não são correção de erros. Quando é difícil diferenciar uma mudança na prática contábil de mudança em estimativa contábil, a mudança é tratada como mudança em estimativa contábil.
10.16 A entidade deve reconhecer o efeito de mudança em estimativa contábil, diferente de mudança à qual se aplica o item 10.17, prospectivamente incluindo-a no resultado no:
(a) exercício da mudança, se a mudança afetar somente esse exercício; ou
(b)      exercício da mudança e exercícios futuros, se a mudança afetar ambos. (...)”

Sendo assim, podemos concluir que:
  • Mudança de Política Contábil: é quando mudamos alguma regra, base ou política para a apresentação das demonstrações contábeis.
  • Mudança de Estimativa Contábil: é quando mudamos alguma forma de calcular algo/alguma operação, resultando em novas informações e com isso impacta em sua contabilização.

E aí, com isso, já descartamos de cara as letras “C” e “D”....ok? Pois a mudança de vida útil e valor residual de um bem e, consequentemente, a alteração no cálculo da depreciação, trata-se de uma “mudança de estimativa contábil”. Certo?

Então, em 1º lugar, já descobrimos que é uma “mudança de estimativa contábil” e com isso nos restam apenas as opções da letra “A” e “B”.

Em 2º lugar, tendo em vista, a partir do momento que geramos uma “nova informação” ou um “novo valor”, não usaremos mais o custo de aquisição inicial do bem e sim custo de aquisição ajustado do bem.

Lá na Seção 17 desta norma, que trata do ativo imobilizado, diz o seguinte:

“Seção 17
Ativo Imobilizado
“(...)
17.19 Fatores como, por exemplo, mudança na maneira como o ativo é utilizado, desgaste e quebra relevante inesperada, progresso tecnológico e mudanças nos preços de mercado podem indicar que o valor residual ou a vida útil do ativo mudou desde a data de divulgação anual mais recente. Se tais indicações estiverem presentes, a entidade deve revisar suas estimavas anteriores e, caso as expectativas atuais divirjam, corrigir o valor residual, o método de depreciação ou a vida útil. A entidade deve contabilizar a mudança no valor residual, no método de depreciação ou na vida útil como mudança de estimativa contábil, em conformidade com os itens 10.15 a 10.18. (....)”

Sendo assim, não há mais o que dizer...apenas que é a letra “A”.  \o/

Para quem ainda não tem a NBC TG 1000 Contabilidade para Pequenas e Médias Empresas, baixe no link:

Fiquem com Deus!
Até mais!
Yasmin



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